pensando muito em Ryan Gosling, faz bem.
quarta-feira, outubro 31, 2012
terça-feira, outubro 30, 2012
p.s.: voltei.
Fim de uma jornada. Muito feliz com todos os resultados alcançados e sabendo que meu destino profissional agora é escolha e não mais sorte. Estou me preparando pras minhas merecidas férias, que não vão ser as que sonhei, mas vão ser as que poderei ter. Me planejei pra fazer uma viagem sexual, com muita depravação no exterior e minha mãe cismou em ir comigo, só soube da notícia quando ela ja estava com o bilhete em mãos. MIOU! Mas por um lado tem uma coisa boa, é a primeira vez que viajamos juntos para fora do país e vai ser legal apresentá-la à esse mundo novo.Tenho pensado muito no Rafa, mas com tranquilidade. E tenho estado muito tranquilo, pois tomei coragem e conversei com meu amigo cardiologista, lá da terra da garoa, ele me aconselhou muito e relatou como foi todo o início da vida dele. Fiquei muito feliz em partilhar esse segredo e dele me desvendar alguns mistérios.
Estou com uma gripe forte e de molho, mas estou de volta.
quarta-feira, outubro 17, 2012
você tem medo de que?
Ontem reencontrei com o Rafa depois de uns quarenta dias. Ou mais. Acho que a última vez que nos vimos foi em meados de agosto para setembro. Não vou dizer que não senti falta, pois é mentira, mas a "política" que adotei de deixar que ele me procurasse sempre será válida. Nos falamos quase todos os dias durante esse tempo e, em todos os casos, foi ele que ligou. Pra tirar dúvidas, pedir dicas, falar ameninades... mas sempre foi ele que ligou.
Então nos vimos ontem, um amigo de fora está na cidade e nos chamou pra sair. Embora minha rotina esteja muito atribulada (ênfase no muito), consegui sair relativamente cedo (por volta das 21h) e ir me encontrar com eles. O Rafa chegou um pouco depois de mim e ficamos, o quarteto, a conversar sobre filmes, viagens e nossos hobbys. Saímos por volta das 23h30, deixei meus amigos no hotel e fui deixar o Rafa em casa. Senti vontade de pedir para ele dormir na minha casa, estava cansado, com muito sono, e o efeito das quatro cervejas que tomei me fizeram relaxar, intensificando o sono. Mas não pedi e nem ele pediu para eu deixá-lo em casa, mas fui mesmo assim.
Continuamos a conversar sobre trabalho, ele a reclamar do dele e, embora eu ande bastante cansado implorando pelas minhas férias dia 01/11 (faltam poucos dias!!), me sinto realizado profissionalmente. Cheguei à porta da sua casa, ele tirou o cinto e envergou o braço direito para o meu lado, me envolvendo em um grande abraço apertado. "Sabe Dramma, eu fico preocupado com você nesse trabalho", ainda abraçados cochichei em seu ouvido perguntando o porque. "Tenho medo de você ter um infarto e morrer, é muito stress".
Dei um longo suspiro, me desbaratei daquele abraço e pousei a mão direita em sua nuca. "Nenhum amigo meu tem medo que eu infarte e vá morrer por conta de stress. Nem minha mãe, Rafa, tem esse medo". Ele olhou pra mim e continuou "Mas eu tenho, tenho medo de perder você".
"Muitas vezes nós perdemos as pessoas ainda vivas. Não posso ensiná-lo a viver sua vida, mas preste atenção nas palavras que você me diz, preste atenção no que você sente. A vida é muito curta para perder tempo". Ele riu, me deu um abraço, beijou carinhosamente minha bochecha e concluiu "a gente podia se ver sábado?" - balbuciei um talvez - "Me liga pra gente fazer alguma coisa".
"Se der eu ligo".
sábado, outubro 13, 2012
sexo no sec XXI
Quem aqui é usuário de Iphone e de Android e baixou o Grindr? Eu digo: baixei. Me arrependi. Apaguei. Baixei de novo.
Quando eu vi que havia um aplicativo (muito legal o conceito), de que mostra perfis de gays, bissexuais e curiosos que estão próximos de você, achei o máximo. Baixei, não botei foto e fiquei olhando, era bem legal ver pessoas que estavam próximos a mim e procuravam a mesma coisa: amizade, sexo, relacionamentos, papo.
Me chamou a atenção o velho perfil de caras sarados sem aparecer o rosto. Fiz um descritivo caprichado "gordinho, bissexual, curioso, procuro amizade colorida e quem sabe algo mais. Vamos papear". Puxei papo com três perfis que me interessaram, UM respondeu. E quando respondeu foi "você tem foto?". Porra, eu não pedi foto, eu queria bater papo. Me senti nos tempos do mirc, onde ficava no #gayminhacidade teclando atrás de aventuras e lá conheci o Gilberto. É um culto exarcebado ao corpo e ao sexo fulgás (ok, as vezes também procuro isso). Então comecei a teclar com um cara, não aparecia foto do rosto, tinha um corpo bonito e conversamos bastante. Ele me pareceu bem legal e me mandou foto de rosto. Gelei. Era um dos meus fornecedores. Me pediu foto. Calei. Ponderei. Quis mandar. Deletei o aplicativo.
Antes que venham me crucificar eu pensei muito se devia me mostrar, pois sei a importância que ele tem na empresa que trabalha e fiquei temeroso com o relacionamento de amizade e parceria que tenho com os chefes dele. Senti muita vontade, juro. Mas deletei.
Duas semanas depois resolvi ativar o aplicativo, não lembro de ter visto nenhuma "propaganda" dele em blogs, mas me pareceu ter muito mais gente. E lá estavam um amigo da faculdade, o irmão caçula do marido da minha prima, o primo do meu vizinho e um amigo do meu primo. TODOS mostrando a foto, dando a cara a tapa. Mudei o descritivo "quero conhecer pessoas, bater papo, se relacionar", coloquei foto de uma paisagem bonita. Todas as pessoas que vêem falar comigo pedem foto de rosto, do pau, da bunda, do caralho a quatro, mas quando eu falo "vamos bater papo antes?", somem.
TRISTE.
Deleto de novo?
Quando eu vi que havia um aplicativo (muito legal o conceito), de que mostra perfis de gays, bissexuais e curiosos que estão próximos de você, achei o máximo. Baixei, não botei foto e fiquei olhando, era bem legal ver pessoas que estavam próximos a mim e procuravam a mesma coisa: amizade, sexo, relacionamentos, papo.
Me chamou a atenção o velho perfil de caras sarados sem aparecer o rosto. Fiz um descritivo caprichado "gordinho, bissexual, curioso, procuro amizade colorida e quem sabe algo mais. Vamos papear". Puxei papo com três perfis que me interessaram, UM respondeu. E quando respondeu foi "você tem foto?". Porra, eu não pedi foto, eu queria bater papo. Me senti nos tempos do mirc, onde ficava no #gayminhacidade teclando atrás de aventuras e lá conheci o Gilberto. É um culto exarcebado ao corpo e ao sexo fulgás (ok, as vezes também procuro isso). Então comecei a teclar com um cara, não aparecia foto do rosto, tinha um corpo bonito e conversamos bastante. Ele me pareceu bem legal e me mandou foto de rosto. Gelei. Era um dos meus fornecedores. Me pediu foto. Calei. Ponderei. Quis mandar. Deletei o aplicativo.
Antes que venham me crucificar eu pensei muito se devia me mostrar, pois sei a importância que ele tem na empresa que trabalha e fiquei temeroso com o relacionamento de amizade e parceria que tenho com os chefes dele. Senti muita vontade, juro. Mas deletei.
Duas semanas depois resolvi ativar o aplicativo, não lembro de ter visto nenhuma "propaganda" dele em blogs, mas me pareceu ter muito mais gente. E lá estavam um amigo da faculdade, o irmão caçula do marido da minha prima, o primo do meu vizinho e um amigo do meu primo. TODOS mostrando a foto, dando a cara a tapa. Mudei o descritivo "quero conhecer pessoas, bater papo, se relacionar", coloquei foto de uma paisagem bonita. Todas as pessoas que vêem falar comigo pedem foto de rosto, do pau, da bunda, do caralho a quatro, mas quando eu falo "vamos bater papo antes?", somem.
TRISTE.
Deleto de novo?
quinta-feira, outubro 11, 2012
habibi
Meus últimos dois dias, ou melhor, noites foram dedicados à ler a graphic novel Habibi, de Craig Thompson. Uma linda história de amor, amizade, descobertas, sexualidade e sobrevivência, narrada como mil e uma noites e com bastante referências ao Corão.
Não quero falar mais porque estragaria a leitura, mas a história de Dodola e Zam me comoveu. Hoje, sou uma pessoa mais feliz por ter lido essa Graphic Novel, que inclusive está em promoção na Saraiva.
Um drama atual e comovente.
Não quero falar mais porque estragaria a leitura, mas a história de Dodola e Zam me comoveu. Hoje, sou uma pessoa mais feliz por ter lido essa Graphic Novel, que inclusive está em promoção na Saraiva.
Um drama atual e comovente.
domingo, setembro 23, 2012
cara ou coroa
Uma vez comentei aqui a paquera de um coroa super exuto que meu deu uma paquera muito estranha. Comecei a pesquisar a vida do cara, por se tratar de uma pessoa um pouco pública na minha cidade, encontrei muitas facilidades e algumas dificuldades. Ouvi muita coisa, inclusive de que ele ja foi michê.O negócio é que essa semana ele foi de novo ao meu trabalho pedir um favor e deu em cima de minha assistente, um rapaz que presta serviço me disse que ele investe pesado na moça, que fica tensa e não gosta. Eu saí da sala e fui ao banheiro, na volta ele me para em frente à minha porta pra conversar comigo, fica com aquele papo de macho, me chamando de "Drammazão" e eu fico todo mexido e resolvi encará-lo. Ele ficou bem próximo do meu rosto, me olhando no olho e me pediu o favor que queria. Eu disse que era possível sim fazer e que iria resolver ainda no mesmo dia. Ainda fitando-o no olho perguntei como ele estava.
"Drammazão, eu tô, como diz o ditado, mais apertado que virilha de gordo". Eu olhei pra ele e retruquei se ele estava se sentindo como minha virilha. Ele riu, pegou no meu ombro e perguntou "ela é apertada?". E eu respondi que sim. "Eu posso te ligar?", perguntou me olhando no olho. "Você tem meu telefone, fique a vontade". E tô esperando...
terça-feira, setembro 18, 2012
coisas que só o coração pode entender
Depois do fora que levei do Rafa, parei de ligar pra ele, mas continuei atendendo suas ligações e sempre lidei de forma natural, dentro do possível, com a situação. Parei de cobrar a presença dele e muito menos combinava algo para incluí-lo. Nos falamos várias vezes, em sua maioria das vezes ele queria me questionar sobre uns projetos dele em que acabo fazendo uma consultoria, dando minha opinião profissional. Ele me ligou todas as vezes, quando liguei foi apenas retornando a ligação.
Neste sábado ele me ligou e perguntou o que eu ia fazer, "a mesma coisa que tenho feito nos últimos cinco sábados, ido para um samba com meus amigos". Ele perguntou que samba era, onde era e respondi. No fim perguntei se ele queria ir e ele disse que queria, mas ia depender do Tropeço, se ele fosse trabalhar. Na hora entendi o recado "vou, se puder ir sozinho". Ele não foi e eu, claro, nem liguei.
Domingo de manhã ele me liga e eu estava resolvendo uma pendência do trabalho e pergunta se podia ir na minha casa, consenti e ele perguntou o horário, respondi que pela tarde. Antigamente eu ficava em casa, jiboiando, esperando ele me ligar e aparecer. Já cheguei a relatar aqui as inúmeras vezes que fiquei chateado com a falta de pontualidade nos compromissos dele. E juro que toquei meu domingo de boa, trabalhei, almocei com uns amigos, vi meu afilhado, sai com o Rapaz da Livraria (que estou pensando em rebatizá-lo de Ruivo-Loiro. O que acham?) e nem pensei que ele tinha dito se ia ou não na minha casa. Final do domingo, a música mais propícia pra suicídio tocando (a abertura do Fantástico), o Rafa me liga ja se desculpando dizendo que não veio porque o Tropeço ficou na casa dele até aquela hora e tal e eu, na inocência disse "e tu vinha aqui?". Nessa hora ele ficou calado e disse que tinha combinado comigo no sábado e eu ainda inocente so disse "Ah, foi", como se tivesse relembrando. Então o Rafa disse que viria na segunda-feira, coisa que achei estranho, pois ele nunca vem na semana. Primeiro porque eu saio do trabalho tarde, segundo porque ele não tem carro e tem que contar com minha carona ou busão. E tarde da noite ele não vai pegar busão.
Segunda-feira estou uma pilhe de stress no trabalho, tinha um coordenador chato pra caralho me pedindo coisas pra fazer, mas a parte dele ficava enrolando pra entregar e eu só ameaçando com os prazos. Cinco da tarde o Rafa liga perguntando que horas eu vou pra casa e eu super de boa disse que achava que umas 19h, pois o meu trabalho tava fluindo. Ele diz que o Tropeço ia pra casa dele, depois pra faculdade (veneno escorrendo: é a terceira faculdade que o Tropeço faz e não termina porque sempre desiste do curso) e podia dar uma carona pra ele. Eu pensei, mas disse que na hora que eu fosse sair eu ligava. Quando foi 19h30, tava todo feliz com meus trabalhinhos todos organizados e andando, me preparando pra ir pra casa, liguei pro Rafa que deu a entender que ia de ônibus (mas não ia pegar carona com o motorista da Família Addams?) quando o outro coordenador chega na minha sala querendo ver o material dele. Nessa hora eu respirei fundo, busquei paciência onde não tinha e lembrei que o cara já era idoso (72 anos) e o filho dele era um cara muito legal que sempre foi muito bacana comigo no meu emprego anterior. Sentei e fui mostrar pra ele tim tim por tim tim, fazendo os ajustes que ele queria, fui me liebrar depois de uma hora, morrendo de medo que o Rafa ja tivesse chegado onde eu ia encontrá-lo. Parece até que foi combinado, na hora que estacionei o carro ele desceu do busão e fui comer um temaki pois estava morrendo de fome.
Comemos o temaki, tomamos uma cerveja (eu merecia, o dia foi punk) e eu CRENTE que ele ia se despedir e voltar pra parada disse que queria ir na minha casa. Pois bem, fomos, ele mexeu na minha coleção, ficou falando do blu-ray dos Vingadores que comprei, perguntou se podia combinar de vir assistir e eu só sendo gente boa, amigo mesmo. Foi aí que ele me falou que tinha visto uma peça em que ele ficou encantado e tinha comprado e esperava chegar pelo ebay, mas que tinha que ir atrás do par da peça, que ele não tinha achado. Ele não sabia, mas eu tinha essa peça em casa, guardada, esperando uma boa oportunidade de venda. Abri o armário, tirei uma caixa branca e entreguei "pronto, agora você não precisa mais ir atrás". Ele abriu, quando viu o que era parecia menino. Pulou, me abraçou, me beijou as buchechas. Eu fiquei sentadinho na minha cadeira olhando pra ele, foi quando ele me surpreendeu e me abraçou de novo e beijou meu pescoço e agradeceu mais uma vez.
Rafa sentou em minha cama, pegou um gibi antigo que eu havia comprado e a folheou, página por página de suas 260 páginas, conversando e elogiando a arte e conversamos sobre as histórias. Eu falei que não sabia se estava velho ou saudosista demais, mas hoje em dia as histórias estavam mais preocupadas com a parte gráfica do que com a qualidade do roteiro e evolução dos personagens. Ele terminou e perguntou se eu podia deixá-lo em casa, já eram meia noite. Eu já havia bocejado várias vezes e perguntei se ele não queria dormir na minha casa, que o deixava pela manhã bem cedo. "Eu até dormiria, mas deixei a porta do quintal sem a tranca". Fiz sinal de que tudo bem e fui deixá-lo em casa.
Na porta da casa dele ele me abraçou novamente, beijou meu pescoço e agradeceu de novo pelo presente. Eu apenas ri e o abracei, não devolvi o beijo. Antes de fazer menção de sair me abraçou novamente, me beijou no pescoço e disse pra nos vermos mais vezes. "Claro", respondi.
No caminho de casa, eu estava quase chegando no portão, ele manda uma sms MORTODIFELIZ com o presente, dizendo que realmente não esperava ganhar aquilo e que eu o tinha feito muito feliz, pois havia dado algo que ele queria muito, que lembrava a infância dele e que era muito especial por isso, e porque eu tinha dado. Não respondi. Pela manhã ele manda outra sms dizendo que acordou e olhou pra peça novamente e escreveu "meu dia ta mais lindo quando acordei e vi o presente, obrigado irmão". Antes que alguém diga que irmão é queimação de filme, eu já adianto que a gente sempre se tratou assim. Não respondi novamente, tomei banho, café e fui pro trabalho, chegando lá comecei a resolver meus pepinos e descascar os abacaxis quando resolvi responder eram quase 11 da manhã e coloquei somente "de nada, Rafa".
Taí, eu achei que ia rolar, mas não quis tomar nenhuma iniciativa. Vamos ver como ele se comporta, eu estou na pista.
Neste sábado ele me ligou e perguntou o que eu ia fazer, "a mesma coisa que tenho feito nos últimos cinco sábados, ido para um samba com meus amigos". Ele perguntou que samba era, onde era e respondi. No fim perguntei se ele queria ir e ele disse que queria, mas ia depender do Tropeço, se ele fosse trabalhar. Na hora entendi o recado "vou, se puder ir sozinho". Ele não foi e eu, claro, nem liguei.
Domingo de manhã ele me liga e eu estava resolvendo uma pendência do trabalho e pergunta se podia ir na minha casa, consenti e ele perguntou o horário, respondi que pela tarde. Antigamente eu ficava em casa, jiboiando, esperando ele me ligar e aparecer. Já cheguei a relatar aqui as inúmeras vezes que fiquei chateado com a falta de pontualidade nos compromissos dele. E juro que toquei meu domingo de boa, trabalhei, almocei com uns amigos, vi meu afilhado, sai com o Rapaz da Livraria (que estou pensando em rebatizá-lo de Ruivo-Loiro. O que acham?) e nem pensei que ele tinha dito se ia ou não na minha casa. Final do domingo, a música mais propícia pra suicídio tocando (a abertura do Fantástico), o Rafa me liga ja se desculpando dizendo que não veio porque o Tropeço ficou na casa dele até aquela hora e tal e eu, na inocência disse "e tu vinha aqui?". Nessa hora ele ficou calado e disse que tinha combinado comigo no sábado e eu ainda inocente so disse "Ah, foi", como se tivesse relembrando. Então o Rafa disse que viria na segunda-feira, coisa que achei estranho, pois ele nunca vem na semana. Primeiro porque eu saio do trabalho tarde, segundo porque ele não tem carro e tem que contar com minha carona ou busão. E tarde da noite ele não vai pegar busão.
Segunda-feira estou uma pilhe de stress no trabalho, tinha um coordenador chato pra caralho me pedindo coisas pra fazer, mas a parte dele ficava enrolando pra entregar e eu só ameaçando com os prazos. Cinco da tarde o Rafa liga perguntando que horas eu vou pra casa e eu super de boa disse que achava que umas 19h, pois o meu trabalho tava fluindo. Ele diz que o Tropeço ia pra casa dele, depois pra faculdade (veneno escorrendo: é a terceira faculdade que o Tropeço faz e não termina porque sempre desiste do curso) e podia dar uma carona pra ele. Eu pensei, mas disse que na hora que eu fosse sair eu ligava. Quando foi 19h30, tava todo feliz com meus trabalhinhos todos organizados e andando, me preparando pra ir pra casa, liguei pro Rafa que deu a entender que ia de ônibus (mas não ia pegar carona com o motorista da Família Addams?) quando o outro coordenador chega na minha sala querendo ver o material dele. Nessa hora eu respirei fundo, busquei paciência onde não tinha e lembrei que o cara já era idoso (72 anos) e o filho dele era um cara muito legal que sempre foi muito bacana comigo no meu emprego anterior. Sentei e fui mostrar pra ele tim tim por tim tim, fazendo os ajustes que ele queria, fui me liebrar depois de uma hora, morrendo de medo que o Rafa ja tivesse chegado onde eu ia encontrá-lo. Parece até que foi combinado, na hora que estacionei o carro ele desceu do busão e fui comer um temaki pois estava morrendo de fome.
Comemos o temaki, tomamos uma cerveja (eu merecia, o dia foi punk) e eu CRENTE que ele ia se despedir e voltar pra parada disse que queria ir na minha casa. Pois bem, fomos, ele mexeu na minha coleção, ficou falando do blu-ray dos Vingadores que comprei, perguntou se podia combinar de vir assistir e eu só sendo gente boa, amigo mesmo. Foi aí que ele me falou que tinha visto uma peça em que ele ficou encantado e tinha comprado e esperava chegar pelo ebay, mas que tinha que ir atrás do par da peça, que ele não tinha achado. Ele não sabia, mas eu tinha essa peça em casa, guardada, esperando uma boa oportunidade de venda. Abri o armário, tirei uma caixa branca e entreguei "pronto, agora você não precisa mais ir atrás". Ele abriu, quando viu o que era parecia menino. Pulou, me abraçou, me beijou as buchechas. Eu fiquei sentadinho na minha cadeira olhando pra ele, foi quando ele me surpreendeu e me abraçou de novo e beijou meu pescoço e agradeceu mais uma vez.
Rafa sentou em minha cama, pegou um gibi antigo que eu havia comprado e a folheou, página por página de suas 260 páginas, conversando e elogiando a arte e conversamos sobre as histórias. Eu falei que não sabia se estava velho ou saudosista demais, mas hoje em dia as histórias estavam mais preocupadas com a parte gráfica do que com a qualidade do roteiro e evolução dos personagens. Ele terminou e perguntou se eu podia deixá-lo em casa, já eram meia noite. Eu já havia bocejado várias vezes e perguntei se ele não queria dormir na minha casa, que o deixava pela manhã bem cedo. "Eu até dormiria, mas deixei a porta do quintal sem a tranca". Fiz sinal de que tudo bem e fui deixá-lo em casa.
Na porta da casa dele ele me abraçou novamente, beijou meu pescoço e agradeceu de novo pelo presente. Eu apenas ri e o abracei, não devolvi o beijo. Antes de fazer menção de sair me abraçou novamente, me beijou no pescoço e disse pra nos vermos mais vezes. "Claro", respondi.
No caminho de casa, eu estava quase chegando no portão, ele manda uma sms MORTODIFELIZ com o presente, dizendo que realmente não esperava ganhar aquilo e que eu o tinha feito muito feliz, pois havia dado algo que ele queria muito, que lembrava a infância dele e que era muito especial por isso, e porque eu tinha dado. Não respondi. Pela manhã ele manda outra sms dizendo que acordou e olhou pra peça novamente e escreveu "meu dia ta mais lindo quando acordei e vi o presente, obrigado irmão". Antes que alguém diga que irmão é queimação de filme, eu já adianto que a gente sempre se tratou assim. Não respondi novamente, tomei banho, café e fui pro trabalho, chegando lá comecei a resolver meus pepinos e descascar os abacaxis quando resolvi responder eram quase 11 da manhã e coloquei somente "de nada, Rafa".
Taí, eu achei que ia rolar, mas não quis tomar nenhuma iniciativa. Vamos ver como ele se comporta, eu estou na pista.
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