domingo, janeiro 21, 2007

Breno, o garoto do Centro-Oeste - parte V



Estou indo visitar o garoto. Na verdade estou indo à minha amada cidade resolver umas pendências e vê-lo, claro, está na lista. Ele anda com mais piadas de duplo sentido do que nunca, inclusive já deixou bem claro que ele é o ativo em suas brincadeiras.
Bem, torçam por mim. Sei que ainda tenho que voltar aqui pra contar do desastre que foi Maceió.
Abraços

terça-feira, janeiro 02, 2007

Explicações



Olá!
Desculpem a demora, o anseio gerado e os devaneios.
Infelizmente não posso escrever muito, minha cabeça anda um caos e o coração um caco. Pra piorar minha privacidade está bem diminuta, pois tem um mala de "visita" aqui em casa para um tratamento e passa o dia querendo ler o que escrevo no computador. No trabalho, pior ainda. Mas tão logo seja possível eu os deixo a par das novidades!

bjos em todos.
Um 2007 iluminado para todos nós.


(Cliquem na foto é uma delícia)

domingo, dezembro 10, 2006

Namorado: Ter ou nao ter, é uma questão


Eu tneho que sentar e escrever um monte de coisas, mas o tempo tem deixado essa dificuldade.
Segue um texto de Drummond, que é maravilhoso e é assim que quero me sentir.
bjão em todos!!

Namorado: Ter ou nao ter, é uma questão (Carlos Drummond de Andrade)
Quem nao tem namorado é alguém que tirou férias nao remuneradas de simesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoradode verdade é muito raro. Necessita de adivinhaçao, de pele, de saliva,lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.
Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixao é fácil.Mas namorado, mesmo, é muito difícil.
Namorado nao precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se querproteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quasedesmaia pedindo proteçao. A proteçao dele nao precisa ser parruda,decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensao ou mesmo deafliçao.
Quem nao tem namorado nao é quem nao tem um amor: é quem nao sabe ogosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, umenvolvimento e dois amantes, mesmo assim pode nao ter namorado.
Nao tem namorado quem nao sabe o gosto da chuva, cinema sessao das duas,medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Nao temnamorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virarsorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Nao tem namorado quem fazpactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com afelicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.
Nao tem namorado quem nao sabe o valor de maos dadas; de carinhoescondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entreguede repente; de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou ChicoBuarque lida bem devagar; de gargalhada quando fala junto ou descobre ameia rasgada; de ânsia de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô,bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.
Nao tem namorado quem nao gosta de dormir agarrado, fazer sestaabraçado, fazer compra junto. Nao tem namorado quem nao gosta de falardo próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outrodentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Naotem namorado quem nao redescobre a criança própria e a do amado e saicom ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do MiltonNascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical na Metro.
Nao tem namorado quem nao tem música secreta com ele, quem nao dedicalivros, quem nao recorta artigos, quem nao chateia com o fato de o seubem ser paquerado. Nao tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta semcurtir; quem curte sem aprofundar. Nao tem namorado quem nunca sentiu ogosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada oumeio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Nao tem namorado quemama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio deobrigaçoes; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Nao temnamorado quem confunde solidao com ficar sozinho. Nao tem namorado quemnao fala sozinho, nao ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você nao tem namorado porque nao descobriu que o amor é alegre e vocêvive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve,aquela de chita e passeie de maos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricçoesde esperança. De alma escovada e coraçao estouvado, saia do quintal desi mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de suajanela.
Ponha intençoes de quermesse em seus olhos e beba licor de contos defada. Ande como se o chao estivesse repleto de sons de flauta e do céudescesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falantea dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você nao tem namorado é porque ainda nao enlouqueceu aquele pouquinhonecessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.Enlou-cresça.

sábado, dezembro 02, 2006

O Amor


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré.
Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
(João Cabral de Melo Neto)

domingo, novembro 05, 2006

Queer as Folk


Conforme o prezado Marcelo Ribeiro, o rapaz alto, loiro que deita de cueca de seda em um divã branco e tem o nome encarnado, me apresentou o seriado. Eu já o conhecia de nome, mas como não tenho o Showtime na grade da minha tv a cabo, nunca o assisti.
Na époica em que passou minha cabeça era outra, também. Não sei se teria surtido o mesmo efeito que teve hoje, beirando os 30. Os tipos são bem caricatos, e facilmente nós podemos nos identificar com alguns deles em determinados momentos.
Claramente eu sou o protagonista. Michael tem 30 anos, é apaixonado pelo tipo fuderoso de homem. Brian é seu melhor amigo de infância, tem um corpo perfeito e olhar devorador. Deve trepar mais vezes do que escova os dentes e não seria o tipo de rapaz que sua mãe encorajaria de você andar junto.
Todos eles são assumidos, vivem a dor e a delícia de não se esconderem de ninguém. Todos os personagens são apaixonantes, e se você fizer que nem eu que está terminando de assistir a temporada em menos de três dias (uma média de quatro ou cinco episódio por dia) parece que eles convivem com você, todos os dias, e fazem parte da sua vida. Uma vida que fatalmente poderia ser a sua também. Todos nossos questionamentos e descobertas estão lá, e você pode perceber tudo de uma maneira rápida e se deliciar com isso.
Relacionamentos. As transas de Brian e Justin são quentíssimas. O companheirismo dos personagens são apaixonantes, a mãe de Michael é maravilhosa... enfim, assistam a série.

segunda-feira, outubro 30, 2006

O Rapaz da Livraria e Eu.


Pronto galera, quem tava com saudade de um drama, já tenho a solução! :P
O gato/fofo da livraria tinha me dado um chute, lembram? Eu descobri que ele falava italiano e me dividi em dois pra descobrir como se falava "quero sair sozinho com você. quando me dará essa chance?" e ele apagou meu scrap e não respondeu! Poisé, é foda mas a gente caminha.
Caminah tanto, e eu soud aqueles que acredita que coisas boas acontecem pra pessoas boas (tanto que minha vida profissional está dando um boom), que para minah surpresa ele me deixa um scrap dizendo que está saindo da livraria, e seu último dia seria dia 30, para eu aparecer para conversar.
Bem, eu fui. Cheguei lá como de costume, sem olhar para os lados e me dirigi a sessão de quadrinhos. fiquei olhando uns álbuns novos de luxo e sonhando com aquilo (R$60,00 cada encadernado do Sandman. A coleção toda são 10, é Foda!!). Eu não o vi, não ouvi sua voz. Será que não tinha ido trabalhar?
Passei pro outro lado da livraria, e passei a olhar o livro "Marley & Eu" (que viria a comprar logo depois e digo: leiam!! É a melhor história de como um cachorro muda sua vida pra sempre). De repente escuto um grito chamando pelo meu nome. Lá estava ele, com o maior sorriso do mundo (juro que é o maior e mais lindo sorriso do mundo, juro mesmo!) carregando uma pilha de livros infantis. fuia té ele em meio a sorrisos e o ajudei com os livros. Apertamos nossas mãos. (parecia cena de filme com o Tom Hanks e a Meg Ryan, mas sendo o Tom Hanks e o Scott Speedman :P)
Ele puxou algum assunto que eu respondi que estava um velho e mal saia de casa :/ (burrada, eu sei) Me falou do emprego novo, na área dele, e acho que ele viu quando eu sorri de contentamento. Perguntei como ficaram os horários dele, elogiei e aí um cliente o chamou.
A caralha do cliente passou vários minutos com ele, e depois veio uma mãe com uma pirralha olhando tudo que era livro infantil. Eu o observava de longe, encantado com a forma como ele sempre era cortês.
Antes que pudesse voltar a mim chegou um cara feio (juro que não é despeito, mas o bicho era feio pra dedéu!), de camiseta, sacola e bermuda. Ele sorriu proc ara e foram pra um canto da livraria, fiquei reparando de esguelha e me convenci que pelo tratamento eram só amigos. Ele despachou o cara e veio falar comigo, pedir desculpas porque esses "clientes chatos" apareceram naquela hora e não ter podido me dar atenção.
Falei que entendia, mas que tinha que ir (quem muito se abaixa o fundo aparece, diria minha avó), e então pedi o telefone dele. Parece que ele exitou por algum momento, mas me deu o número, eu disse que ia mandar uma sms pra ele saber qual era meu número e coloquei "se gostou, sorria".
Não recebi resposta, não recebi telefonema, nem um toquinho de número retido :P
Nãos ei se devo ligar, o que falar, o que propor. Não sei. Nem me importo de levar outro fora, mas gostaria de dizer a coisa certa, o convite perfeito, para ele sentir vontade de ir adiante.
Bem, é isso.
Agradecimentos ao Marcelo Ribeiro, que me acolheu em seu divã para ensinar como uma anta de trinta anos poderia baixar vídeo e legenda. Nota dez pra cena de sexo de Queer as a folk. Valeu Marcelo!!!
"O fracasso é a oportunidade de começar de novo, de maneira inteligente."
[Henry Ford]